Tempo é uma questão de prioridade.

 

Autoconhecimento

Há alguns dias que vinha sofrendo com diversos problemas pessoais, profissionais, financeiros... enfim, lamentações constantes da minha vida atual, mas não parava para pensar no porque desses sofrimentos, não procurava saber a causa real do problema, simplesmente tinha um problema e diversas lamentações: fim.

Porém esses dias eu resolvi sair da inércia, sair da minha zona de conforto desconfortante e resolver de fato os problemas da minha vida.

Pontuei tudo que estava me incomodando, as possíveis soluções imediatas e em longo prazo dentro do limite humano. O que eu percebi é tão obvio e ao mesmo tempo tão dolorido de reconhecer. Pois bem, a solução para a resolução de qualquer problema está dentro de você. Óbvio, porém admitir isso para alguém que estava acostumado a fazer-se de vitima e crente que as pessoas e o meio têm influencia sobre ela, é no mínimo, desafiador. Mas aceitei o desafio.

Estabeleci um roteiro simples e me comprometi ser a mais sincera e prática possível nas respostas, e as perguntas foram às seguintes: Qual o problema? Qual a solução possível? Por que de fato você quer mudar isso? Qual o prazo que você pressupõe que chegará ao objetivo? Depois disso, pontuei as minhas metas e determinei um prazo para iniciar e terminar cada uma delas.

Fiquei surpresa com as minhas respostas e com a facilidade que elas saíram de mim para o papel, ao mesmo tempo em que foi me dando certo desconforto. Afinal, assumir para si próprio (que tem como base que o universo, o karma, terceiros e o acaso influenciam diretamente na sua vida e que tudo que acontece nela é o resultado da soma dessas series de fatores) é desconfortante.  Admitir para si mesmo que você é responsável por tudo que acontece na sua vida, que você é o roteirista da sua história, chega a ser constrangedor.

Depois desse choque de realidade pude enfim perceber que meu maior problema não são aqueles citados, e sim a falta de autoconhecimento. Isso me doeu, na verdade ainda está doendo bastante, afinal admitir para si mesmo que não se conhece é assustador. Mas eu poderia ter parado aí e ter voltado algumas casas atrás, mantendo o meu propósito e ponto final, mas o meu eu não permite, eu realmente cansei de maquiar os problemas, para parecer mais aceitável e estabeleci que a prioridade da minha vida hoje (além de resolver os problemas citados, claro) é me reconhecer, é saber de fato quem eu sou, qual meu propósito de vida, o que me faz bem, assumir meus erros, tomar de vez as rédeas da minha vida e ser a única responsável por ela.  Para quem já sabe qual o seu papel no mundo, pode ser que o que eu tenha escrito seja um monte de bobagens, mas para mim é como se tivesse acabado de descobrir um tesouro. E o melhor disso foi descobrir tendo tempo de mudar o que não me convém.

O caminho para o autoconhecimento não é fácil, é longo e doloroso. A pessoa admitir para si mesmo que é falho, que falhou em determinado ponto e que precisa assumir a responsabilidade dos fatos, é tarefa para corajoso. Muitos preferem manter a visão fixa, como um cabresto de cavalo e viver a vida de acordo com as regras impostas pela sociedade, responsabilizar o meio e terceiros pelas suas escolhas, comprar o que não pode e o que não precisa, viver como não pode e não quer, aceitar o que não faz bem, ceder à pressão, sempre dizer sim, fazer o que não gosta... tudo isso é ser falso consigo mesmo. Não, isso não me atrai, não faz mais parte de mim. Sei que haverá dias mais difíceis, que vou querer jogar tudo pra cima, sair correndo e querer voltar algumas casas, vai sim, mas isso também é importante, isso servirá de pistas para delimitar o meu limite e de me fazer superar. Entre voltar algumas casas ou ir em frente e ganhar algumas cicatrizes, mas com isso aprender o valor pessoal, fico com essa segunda opção.

 

19 de julho 2016

 

Atenciosamente

Laila Monteiro